Por Ormano Sousa
Desde a revolução causada pela popularização do computador na vida social, muitos aspectos escolares e de cunho pessoal mudaram. Aluno não quer mais escrever, prefere digitar; jovens não escrevem mais palavras completas, usam abreviações; velhas expressões ganharam novos verbetes; o vocabulário dos idiomas, notadamente o português, sofreu modificações, com a introdução de novas palavras. Em meio a isso tudo, o que há de positivo nesse processo? Há espaço para criatividade ou o comodismo ganhou campo?
Tais interrogações são pertinentes e devem nos impulsionar a uma profunda reflexão. Até onde podemos permitir que a “liberdade” de uso do meio digital chegue?
Quem está na geração dos 30 a 40 anos, no mínimo, passou, indiscutivelmente, pelo processo de aprendizagem da escrita a rigor com a orientação do cuidado não apenas com a ortografia, mas também da caligrafia. Dever-se-ia, ao menos, possuir uma letra inteligível. O aluno, em suas pesquisas, teria que, inevitavelmente, escrever de próprio punho, exercitar a leitura e buscar compreender o que leu para produzir o seu texto.
Nesse aspecto, o advento do computador provocou uma queda nessa prática, embora não um fracasso ou o declínio completo do uso da produção escrita. O computador trouxe consigo uma geração identificada pela prática do “Control C – Control V”, assim definida pela ação de “copiar” e “colar” o texto ou imagem que mais lhe convier.
Nesse sentido, a geração jovem atual tende ao comodismo. E assim se configura caso não haja um acompanhamento “fiscalizador” do que a juventude anda fazendo no computador. Caso isso ocorra – com o uso deliberado, sem orientação, sobretudo nos trabalhos de pesquisa, fatalmente fará com que ele chegue à universidade com a mesma prática. Aí reside o grande risco de incorrer em uma gravidade tamanha que pode levá-lo à esfera jurídica por prática de plágio – o crime de tomar como seu uma autoria alheia.
Não se condene, no entanto, a inovação tecnológica como um instrumento de fracaso para a prática da escrita e da produção textual. As escolas infantis estão cheias de crianças que estão num processo de letramento manual. Computador nas periferias, sobretudo nas cidades dos interiores pobres do imenso Brasil, é luxo. E ainda que houvesse computador à disposição as crianças deverão continuar a aprender a escrever usando dos próprios punhos. A inclusão digital é apenas uma das ferramentas e que, num futuro bem próximo ajudará as crianças também nesse processo educativo.
Quanto aos jovens, que se deixe a usar o computador, mas apresente-se um norte. Que se mostre a eles ferramentas para que saiba utilizar de forma inteligente a tecnologia. Uma das grandes vantagens é que, ao se utilizar o computador, não se tem a necessidade das práticas anacrônicas – embora ainca com seus valores reservados – de se reescrever textos por erros no momento da escrita. Pelo computador apagam-se os erros, reescreve-se com praticidade, modifica-se o texto, mesmo depois de pronto, de acordo com a vontade do autor na busca da perfeição textual.
Assim, com o computador, a produção de texto não deve cair na vala do comodismo, mas na dinamicidade de quem quer ser um bom escritor.
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